Vale brilha nas carteiras das corretoras em fevereiro
RIO - O ano começou com um surpreendente clima de euforia nos mercados, apesar dos riscos ainda existentes na crise da dívida europeia. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) saltou 11,13% em janeiro pelo Ibovespa, o seu principal índice. Nesse embalo, uma parte das carteiras recomendadas pelas corretoras apresentou ganhos expressivos no mês. Para fevereiro, os analistas preveem nova valorização e assumiram apostas um pouco menos conservadoras. E fizeram pequenos ajustes nas suas estratégias, substituindo as ações que mais se valorizaram por papéis considerados baratos.
Na maioria das carteiras, as apostas estão em ações do mercado interno: bancos, varejo e construtoras. Individualmente, os papéis da Vale são agora os mais recomendados. De dez carteiras consultadas pelo GLOBO, as ações da mineradora estavam recomendadas em sete. Um mês atrás, o papel tinha cinco apostas.
Itaú Unibanco têm seis recomendações
A Octo Investimentos foi uma das corretoras que incorporaram as ações da Vale. O analista Fernando Goes explica que o melhor ambiente para aplicações em risco beneficia os preços das commodities e contribui para uma procura maior pelas ações. Ele lembra também que a Vale divulgou recentemente a intenção de distribuir, pelo menos, US$ 6 bilhões em lucros para os seus acionistas (os chamados dividendos), o que foi bem recebido pelos investidores.
— Os papéis da empresa recuaram muito em 2011 e acreditamos no potencial de valorização — afirma Goes.
Também nas carteiras recomendadas para fevereiro, há seis indicações para ações do Itaú Unibanco e cinco para as da OGX Petróleo. Petrobras, PDG Realty e Banco do Brasil têm quatro apostas cada.
Segundo Rossano Oltramari, analista-chefe da XP Investimentos, a carteira da corretora tem recomendações menos “defensivas” contra a queda da Bolsa, mesmo que ainda permaneça com um perfil mais conservador. Entre as apostas consideradas mais ousadas estão LLX Logística e Cosan.
— Estamos vendo uma mudança no comportamento do investidor. Ou seja, a fuga de capital para aplicações de baixo risco deu lugar agora a uma procura pelo risco. E isso é efeito de uma grande liquidez internacional — diz Rossano.
Segundo analistas, três fatores explicam a forte alta das ações em janeiro: a injeção de liquidez pelo Banco Central Europeu (BCE) ao fim de dezembro do ano passado, o anúncio de manutenção dos juros baixos nos Estados Unidos até 2014 e a possibilidade de uma nova rodada de afrouxamento monetário (quantitative easing).
Na Souza Barros Corretora, as mudanças na estratégia da corretora foram pontuais. Segundo o economista Clodoir Vieira, os papéis da SulAmérica, por exemplo, foram retirados da carteira após uma alta de mais de 16% em janeiro. A ação deu lugar para TIM Participações, ainda baratas.
— O tradicional rali de dezembro, mês em que a Bolsa costuma subir por uma série de fatores sazonais, acabou acontecendo em janeiro deste ano. Foi uma alta forte, e podemos ver algumas quedas com investidores embolsando os lucros. Por isso, decidimos fazer trocas e sair de papéis que podem sofrer realização de lucro — explica Vieira.
Já a Geração Futuro preferiu adotar um tom cauteloso para fevereiro, após apostas bem-sucedidas no mês passado terem produzido um retorno de mais de 10% na carteira recomendada de janeiro. Segundo Wagner Salaverry, diretor e sócio da Geração Futuro, o peso dos papéis considerados defensivos — tipicamente do setor de energia e telecomunicações — subiu de 25% para 35%, entre janeiro e fevereiro. Entre as apostas mais arrojadas, estão as ações da OGX Petróleo, por exemplo, que permaneceriam baratas após o tombo de 31,90% no ano passado
— É muito difícil prever quando vai acontecer um grande fluxo de entrada de investidores estrangeiros na Bolsa, o que foi determinante para o forte resultado de janeiro. E também é muito difícil prever quando esse fluxo vai se inverter. Por isso, aumentamos a cautela — explica Salaverry.
Corretora aposta em volta das pessoas físicas
Para a Geração Futuro, os pequenos investidores tendem a começar a voltar ao mercado de ações a partir de março, desde que o mês de fevereiro confirme os prognósticos de ganhos. No começo do ano, as pessoas físicas realizaram saques líquidos (compras menos vendas) de R$ 1,4 bilhão em ações na Bolsa. No mesmo período, os investidores estrangeiros aplicaram R$ 7,1 bilhões no mercado, um recorde para o período, desde o Plano Real (quase 18 anos).
— Altas muito fortes, como as ocorridas em janeiro, acabam não ajudando muito para as pessoas físicas voltarem ao mercado. Elas acham que a alta já passou e que entrar agora seria tarde demais. Mas estamos otimistas — explica Salaverry.
Fonte: OGloboVer a notícia completa
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